A antiga catedral da minha cidade
foi demolida ontem a noite para que seja construído um novo templo.
Estou aqui em Ji-Paraná há 18
anos e apesar de nunca ter entrado naquela igreja, impossível não ficar triste
ao ver as imagens dela indo ao chão.
Dói em meu coração!
Tenho uma certa dificuldade em me
desapegar da história.
Lembrei-me da minha casa verde lá
no Paraná, da qual também morei lá por 18 anos, até que o chegou o dia de partir para uma "casa
melhor"!
E realmente a casa era melhor,
mas na casa verde havia minha história.
Ela tinha um galinheiro no fundo
que minha vó cuidava!
Tinha um portão no muro que me
levava para a casa da minha vó!
E a lateral da casa que minha mãe
me colocava para correr para me esquentar antes de tomar banho nos dias frios
do inverno paranaense.
Minha varanda que era ponto de
encontro com minhas amigas para brincar de lojinha.
A calçada quando ganhei meu
primeiro beijo do Edilson!
Meu quarto! Minha história! Minha
infância!
Tudo lá na casa verde ficando
para trás com a nossa mudança!
E foi quando o pior golpe chegou, os
novos donos a demoliram!
Minha irmã que me avisou que a
casa estava no chão e naquele momento fechei meus olhos para que todas as
lembranças ficassem capturadas na minha memória.
E elas estão!
Hoje quando passo em frente a
nova casa que esta no lugar da casa verde, tenho vontade de tocar o interfone e
avisar os moradores que aquele local é abençoado, que uma história familiar foi
construída lá (a casa verde era dos meus avós antes do meu nascimento) e que
desejo que as recordações deles sejam tão boas quanto as minhas quando um dia o
tempo deles também se findarem lá.
Pois ao me deparar com a
demolição da catedral me deparo mais uma vez com o TEMPO!
O inexplicável e incontrolável
tempo!
Que faz a vida girar!
Que faz a história acontecer!
A história que traz em nós a
saudade do que se foi e que impulsiona as gerações a fazerem suas histórias
também!
Carrego em mim as minhas
lembranças da casa verde e que Ji-Paraná e os membros da saudosa catedral
carreguem em si as lembranças da comunhão em Deus vivida naquele lugar.
E que venha o novo para fazer a
sua história também!
E que venha uma geração respeite
a história de sua terra!



